Nem sempre tenho tempo, mas às vezes gosto de me ficar pela cozinha despida de emoções, a contemplar o vazio sujo e citadino que habita as traseiras da minha casa emprestada.
Fico assim a pensar no peso do Mundo e no que pesamos ao Mundo ou sobre qualquer outra coisa impessoal enquanto trinco vagarosamente uma torrada que se desfaz em múltiplas migalhas de oiro.
Arrumo tudo e seco o cabelo comprido que chora nas minhas costas colando-se como musgo. Tento dar-lhe forma, mas em vão este torna a cair desregrado e irrepreensível ao bel-prazer da gravidade.
Acabo de me vestir com o casaco cinzento pesado que tanto gosto e desço lá para fora.
Ainda é cedo e a manhã que me recebe é silenciosa e taciturna, arrastando-se placidamente desde as bermas dos passeios gastos até aos céus carregados.
Há uma conversa entre neons coloridos que me acompanha durante uns passos e que depois é substituída pelo barulho dos motores que gorgolejam combustível e largam velocidade, fazendo a cidade florir em fumo e reboliço.
É aí, pouco tempo depois de me ter erguido, que me apetece voltar outra vez a dormir; quando a urbe começa a ser de todos e não só minha.
Devious Comments
Será este elogio um reflexo da minha arrogância... talvez narcisismo?... Que se lixe! Gosto mesmo do que escreves. ^^
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Through the darkness of futures past
The magician longs to see
One chants out between two worlds
Fire walk with me
Rise and Shine Mr. Freeman, rise and shine...
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"Together we stand, divided we fall..."
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