Vejo um mar de luzes instável à minha frente, gostava que fossem um aglomerado de pirilampos bêbados de epinefrina. O vento jorra volátil contra a minha cara.
Eu só queria ser feita de pedra; ao invés deixo as minhas artérias fraquejarem em mil pássaros.
Cambaleio para o pé de um deserto; sou a única a esbocejar um espectro de vivalma aqui. Nada se move, tudo petrifica à minha volta e a solidão é uma mata que me asfixia e ao mesmo tempo força oxigénio para dentro do que sou.
Rendo-me à vaidade imperial das minhas sombras e anulo-me. Nunca me soube tão bem ser um despojo de mim mesma.
Cravo as garras nas minhas costelas e obrigo-me a ser.
Sou uma constelação vagarosa de nada. Movo-me com o bambolear do presente só porque tem de ser. Sou uma pressa lenta, uma merda nenhuma. Um todo que desconhece as suas partes, um todo que se quebra em nulidade, um monstro que não se deixa decifrar... uma lança que se espeta e se acaba em si mesma, sangrando até não haver mais débito, vertendo até não haver mais hemorragia.














